Brahms, piano quartet no. 3 , op. 60, C minor, La Gaia Scienza



note:
what i feel is a human energy meeting obstruction and finding
another flow for the river...
walking, falling, getting up, walking..etc

Manuel Bandeira, Sonho

Manuel Bandeira, Sonho


Sonhei ter sonhado 
Que havia sonhado. 
Em sonho lembrei-me 
De um sonho passado: 
O de ter sonhado 
Que estava sonhando. 
Sonhei ter sonhado... 
Ter sonhado o que? 
Que havia sonhado 
Estar com você. 
Estar? Ter estado, 
Que é tempo passado. 
Um sonho presente 
Um dia sonhei. 
Chorei de repente, 
Pois vi, despertado, 
Que tinha sonhado.


note: my excursion today into poetry from Brazil.
and this poem..maybe i will remember in sleep or all of
a sudden when driving my car...

O espelho, Manuel Bandeira

O espelho

Ardo em Desejo na tarde que arde! 
Oh, como é belo dentro de mim 
Teu corpo de ouro no fim da tarde: 
Teu corpo que arde dentro de mim 
Que ardo contigo no fim da tarde! 

Num espelho sobrenatural, 
No infinito (e esse espelho é o infinito?...) 
Vejo-te nua, como num rito, 
À luz também sobrenatural, 
Dentro de mim, nua no infinito! 

De novo em posse da virgindade, 
- virgem, mas sabendo toda a vida - 
No ambiente da minha soledade, 
De pé, toda nua, na virgindade 
Da revelação primeira da vida

Vou-me Embora pra Pasárgada , Manuel Bandeira

Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.


note:
better not go there..too sad 

The Animal, Manuel Bandeira

Yesterday I saw an animal
On a filthy hallway
Searching for food between the garbage

When finding anything
It did not inspect or smelled
Just swallowed with voracity

The animal was not a dog
Or a cat
Or a rat

The animal, oh my Lord, was a man! 

ARTE DE AMAR, Manuel Bandeira

ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.



note:
yes?  is this true?
i wonder deeply...poor souls...

O Rio, Manuel Bandeira

O Rio
Manuel Bandeira

Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refletí-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.

also stolen :-)

so calm inside...so lovely this poem