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Saturday, October 17, 2015

No Centro do mundo,António Ramos Rosa

No centro do mundo

Oscilante geometria tranquila
presença suficiente do ínfimo e do amplo
No centro do tempo não há tempo

Tranquilidade para ir ao encontro de
Estou dentro estou aberto habito
um limpo rosto de desconhecida frescura

Ramagens dispersão de nuvens indícios ténues

Sou uma linguagem límpida com o vento
Bebo nas múltiplas nascentes
do espaço puro
Acendo-me e apago-me e é a claridade que muda
Tranquilidade das ramagens crepitação de brasas

Durmo silencioso e mais desperto do que nunca
Sou o ar que se dissipa no ar
Como me perdi quem sou as interrogações cessaram

Estou dentro e fora na densidade subtil
Não ha aqui imagens extravagantes rumores estranhos
Tudo se desenrola na lúcida amplitude tranquila
As palavras sucedem-se como vagarosas nuvens
O dia é limpido e lê-se como um livro aberto

A Festa do Silêncio, António Ramos Rosa

A Festa do Silêncio
Escuto na palavra a festa do silêncio.
Tudo está no seu sítio. As aparências apagaram-se.
As coisas vacilam tão próximas de si mesmas.
Concentram-se, dilatam-se de ondas silenciosas.
É o vazio ou o cimo? É um pomar de espuma.
Uma criança brinca nas dunas, o tempo acaricia,
o ar prolonga. A brancura é o caminho.
Surpresa e não surpresa: a simples respiração.
Relações, variações, nada mais. Nada se cria.
Vamos e vimos. Algo inunda, incendeia, recomeça.
Nada é inacessível no silêncio ou no poema.
É aqui a abóbada transparente, o vento principia.
No centro do dia há uma fonte de água clara.
Se digo árvore a árvore em mim respira.
Vivo na delícia nua da inocência aberta.
Volante Verde, 1986
António Ramos Rosa

quote, A simple thing, Zenyogagurdjeff.blogspot.com

Once or twice a day it must be ok to read more complex stuff which in the end turns out quite 
"simple"...:


quote-

"Meditation and contemplation ought to be a process of emptying, of simplifying; we ought to be trying to bring our life back to the basics, sensing ourselves in our bodies, and becoming attuned to our Being— not our psychology, which is a different matter entirely. 

Our psychologies are complex but shallow; Being is simple, with much greater emotive depth. 

Psychology relies on Being to manifest — after all, without Being, there can't be anything at all — but Being does not rely on psychology. One must become attuned to one's organic existence and the simplicity of it in order to understand difference.

This brings me back to my most beloved subject, sensation, which is the heart and soul and essence of the threshold of Being upon which one can base a practice."


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